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Religião12 de junho de 2026

A Necessidade de haver um sacerdote no mundo - Desde o Antigo ao Novo

Este é uma breve reflexão pessoal sobre a importância da pessoa do Sacerdote na minha vida espiritual.

Por Dino MoratoBaixar PDF
A Necessidade de haver um sacerdote no mundo - Desde o Antigo ao Novo

##A NECESSIDADE DE TER UM SACERDOTE NO MUNDO – DESDE O ANTIGO AO NOVO

Uma vez, perguntaram-me por que razão eu sempre falo dos sacerdotes nos meus discursos, nos meus livros e nas minhas poesias. Perguntaram-me por que motivo coloco essa figura em quase todos os meus livros e por que seriam tão importantes a sua presença e a sua menção. Bem, a minha resposta foi a seguinte: “Veja bem: o primeiro homem criado foi Adão. E é inegável, até para a própria ciência, que existe um ‘primeiro pai’ do qual todos nós descendemos. Então, Adão foi a primeira criatura humana criada por Deus. Não seria ele, então, também o primeiro a ter uma intimidade com o Criador, tão íntima que nenhum outro homem alcançaria, nem mesmo Moisés, que falava face a face com o próprio Deus? Mas, por alguma ironia do destino, a Bíblia não relata essa intimidade entre Deus e Adão. Não é que entre ele e Deus não houvesse uma relação íntima, até porque Deus o formou com as suas próprias mãos, inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente (Gn. 2,7).

O livro do Génesis diz que Deus passeava no jardim; então, nesse caso, podemos presumir — e parece-me que sem cometer heresia ou contrariar a Sagrada Escritura — que Ele costumava descer para falar com a sua criação: o homem. Mas, voltando à questão da intimidade, a Bíblia relata mais a intimidade entre Deus e Abraão do que entre Deus e Adão, o primeiro homem criado, o pai de todos. Esse é um dos mais altos títulos em toda a criação. Ninguém mereceu nem herdou título maior: ser o pai de toda a humanidade. Desde Abel, que foi morto pelo próprio irmão, até ao último homem que chegar ao Reino dos Céus, se assim Deus quiser. Terá sido porque Adão desobedeceu, cometendo o primeiro pecado da história e condenando todos os seus filhos? Pois São Paulo nos diz: ‘Portanto, por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte’ (Rm. 5,12-19).

Mas onde está a minha resposta em tudo isso? Está aqui. Veja bem: Abraão não negou a Deus o seu filho, o seu único filho, em sacrifício, porque Deus assim lhe pediu. E nós, católicos, acreditamos que o filho de Abraão — considerado o pai da fé pelos católicos e por outros povos crentes no Deus único — Isaac, representa o próprio Cristo, o Filho único oferecido em sacrifício para a redenção de todos. Por isso, Abraão foi considerado o pai da fé, mais um grande título entre as criaturas, nós, seres humanos. E ninguém mais mereceu nem herdou título maior entre os filhos da mulher.

Job, um homem íntegro e justo, mesmo nas adversidades, tendo perdido tudo, preferiu sofrer até morrer a desobedecer ou blasfemar contra o seu Deus. Na visão humana, ele teria o direito de amaldiçoar o seu Deus, já que foi o próprio Deus quem permitiu ao diabo que lhe tirasse tudo, menos a vida. Mas Job não o fez. Continuou fiel a Deus e foi um dos homens mais abençoados sobre a face da terra. Deus cobriu Job de riquezas materiais e espirituais. David, o rei segundo o coração de Deus, foi um dos maiores que Israel já teve. Depois veio Salomão, o mais sábio entre todos os reis da terra. Um homem que se preocupava em agradar ao seu Deus e não buscava a morte dos seus inimigos. Jacob, chamado Israel, que significa “aquele que luta com Deus”, foi abençoado com as doze tribos. Ele não quis que Deus fosse embora sem antes o abençoar. São João Batista, chamado pelo próprio Jesus Cristo o maior de todos os filhos da mulher, foi aquele que veio antes de Jesus Cristo para preparar os caminhos do seu Senhor. São José, esposo da Virgem Maria, é considerado pela Bíblia um homem justo (Mt. 1,19). A ele foi confiada a filiação divina: a responsabilidade de cuidar do único Filho de Deus, o próprio Deus, seu Criador e Senhor. A Virgem Maria era uma menina santa, simples e humilde. Tão humilde que encontrou graça aos olhos de Deus. Ela tornou-se a Mãe do Criador. Esse mistério, até hoje, é discutido por muitos estudiosos — alguns teimosos — porque tal mistério não cabe por completo na mente humana. Não pode ser plenamente compreendido pelo entendimento humano: como pode um Deus omnipotente descer a uma condição tão frágil, assumir a natureza humana e morrer por ela? Um Deus morrer? Como pode o Autor da vida morrer? Então, a Virgem Maria carregava uma responsabilidade tão grande que ninguém mais poderia ajudá-la. Poderia passar horas aqui a falar da pessoa de Maria, que, para mim, é mais do que uma mãe, como muitos homens pensam. Maria, para mim, é uma das razões para eu continuar a amar esse Filho que ela mesma amamentou e criou, sendo Ele verdadeiramente o seu Filho, o seu único Filho. Agora, respondendo à sua pergunta: veja! Nem Adão, nem Abraão, nem David, nem Salomão, nem qualquer uma dessas personagens que tiveram uma parte fundamental no plano de salvação da humanidade, e das quais temos muito a aprender, tiveram o dom que Jesus Cristo deu aos sacerdotes. Veja: Pedro era um pescador, pecador e orgulhoso. Ele mesmo reconheceu isso quando disse: ‘Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador’ (Lc. 5,8). Levi era um cobrador de impostos, um dos mais desprezados pelos judeus. Entre os doze Apóstolos que Jesus Cristo chamou para O seguir e viver como Ele, havia homens simples e pecadores. Em comparação com outras personagens do Antigo Testamento, esses homens não receberam nenhum título de grandeza, porque, além de simples, eram realmente pecadores; mas tinham uma grande vontade de servir a Deus até à última gota de sangue, até ao martírio. Porém, foi a eles que Jesus entregou o maior dom. Veja: Deus criou Adão com as suas próprias mãos. E nós, católicos, acreditamos piamente que cada corpo de todo ser humano, quer homem, quer mulher, é templo santo do Espírito Santo, um templo inviolável, porque Deus mora ali. E o coração do homem é o único templo santo que Deus construiu com as suas próprias mãos, onde Ele mora por vontade própria. Ora bem, se Deus está no coração do homem que Ele mesmo fez, e se esse corpo, esse templo, é santo e não pode ser violado, mas sim amado, imagine a própria carne do Deus encarnado, Jesus Cristo: o Corpo que não foi criado do barro como Adão e o Espírito que não foi soprado como o de Adão. Como Jesus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, entrega tudo isso a um homem pecador? Como Ele pode confiar tanto às mãos impuras do homem o Seu Santíssimo Corpo? Por que razão Ele nos entrega tudo d’Ele — o Seu Santíssimo Corpo e o Seu Preciosíssimo Sangue — nas mãos do sacerdote? Primeiro aos Apóstolos, dizendo: ‘Fazei isto em memória de mim’; e agora aos sacerdotes que temos. Ora, então, nos sacerdotes eu reconheço o maior dom dado ao homem em toda a história da humanidade. E não importa a religião, a doutrina, a ciência ou o modo como essa história é contada. O maior dom foi dado a homens que não herdaram nenhum título de grandeza, mas que receberam e deixaram o maior dom. Ao comungar Cristo, o Corpo e o Sangue de Cristo, na Santa Eucaristia, eu acredito que recebo o perdão, a reconciliação, a coroa da vitória, mesmo sem merecer, a paz e o amor — que é tudo. Então, se pelas mãos dos sacerdotes eu recebo tudo de uma só vez; tudo aquilo de que necessito; tudo o que é necessário para a minha existência e realização, por que razão eu não necessitaria deles? O mundo cairia no mais profundo abismo se não fossem as mãos dos sacerdotes, que o levantam em cada Hóstia Consagrada, que é verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo. Não importa o quanto eu tenha caído. Eu sou levantado pelas mãos dos sacerdotes, junto com a Hóstia Consagrada. Portanto essa é a minha resposta de porque eu amo e necessito tanto dos sacerdotes. Só isso basta para mim. Receber o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo pois assim alcanço a plena santidade unindo a Jesus Cristo. Uma outra resposta óbvia, porém, com um profundo sentido seria que Jesus não instituiu todos os homens como sacerdotes. Ele atua naqueles que Ele mesmo escolheu e instituiu. Por isso, eu confio que os sacerdotes têm essa autoridade. Quando eu vou à confissões - eu acredito que o sacerdote ali é Persona Christi. Que ele tem o mesmo poder dados aos Apóstolos, para perdoar, curar, baptizar e principalmente elevar o Corpo de Cristo em cada Eucaristia como o próprio Cristo fez na última ceia. Sem isso é vão a minha fé.


Dino Morato, 2026